• Ginger Yoga

Let's talk #somatics ♥️


Até temos um verbo em português, "somatizar". :)

Este "embrionamento" dentro e "fora", na realidade, tudo se integra. Quando o sintoma se manifesta, por norma, a origem já vai longe. Thomas Hanna desenvolveu esta área, também bebendo do trabalho de Feldenkrais (anos 70) e tantos outros de onde remontam estas referências. A "consciencialização" do processo emocional no corpo e a escuta atenta à "somatização" de um conjunto de respostas emocionais assenta na premissa integrativa do corpo-mente como um conjunto do que, durante ainda tanto tempo, teimamos a "separar" (instinto, intelecto, intuição | corpo, mente, "espírito", and so on).

O movimento/educação somática é uma técnica desenhada para ir ao encontro da raíz, da origem física e emocional da desordem/mal-estar/desequilíbrio, libertando o corpo dos traumas celulares, inclusive, e restaurar o equilíbrio, trazendo ao consciente, memórias e desconforto físicos associados a emoções "armazenadas" e somatizadas pelo corpo, sem que, na maioria das vezes, não tenhamos noção disso, atribuindo, invariável e meramente, uma causa física à dor, ou enfiando tudo na gaveta do "stress (que já por si é uma resposta completamente desproporcional de um mecanismo de sobrevivência de qualquer mamífero (aumento da produção de cortisol), em caso de sobrevivência e que o ser humano conseguiu elevar determinada resposta natural à causa de inúmeros estados iniciais de doença desencadeados pela repetição excessiva de algo que devia, apenas, manifestar-se em caso de perigo. A libertação somática permite um alívio da acumulação e somatização da dor e mal-estar psico-físico.

Todo o corpo é um mundo, cheio de histórias, que respira, com vários pontos e áreas, necessitando não só de uma consciência neuromuscular imensa, como em termos subtis, seja em termos individuais, como de grupo. Tão importante é isolar o movimento, como mover o corpo como uma força, uma massa conjunta. E o suporte de toda esta consciencialização e acção é a respiração. A memória é falaciosa, são construções mentais, já a memória do corpo não tem como dar a volta à mente, que mente monumentalmente.

"Full body breathing is an extraordinary symphony pf both powerful and subtle movements that massae our internal organs, oscillate our joints, and alterately tone and release all the muscles in the body. It’s a full participation with life.” (Donna Farhi)


Na visão tradicional do Yoga e Ayurveda, a compreensão da nossa vivência como indivíduos ultrapassa qualquer noção biomecânica, logo limitada e unilateral, sendo a psicologia ayurvédica uma ciência imensamente vasta com um conjunto profundamente amplo de ferramentas e conhecimento, quando se debruça na manifestação os estados mentais de cada biótipo, além da natureza geral de qualquer mente humana - categorizar, analisar, julgar, comparar, raciocinar, discernir, formular, etc., a nossa mente, a minha, a tua mente, em particular, não é "muito rápida e não pára um segundo, etc" por ser especial - a natureza da mente é essa agilidade e volatilidade. Não significa isto, portanto, que é "natural", "saudável", "expectável" andar ao "sabor da mente", ficando refém de tudo o que ela projecta, pensa, "sente" (as emoções são processos cognitivos, também), e descurar do sussurro do corpo, que comunica connosco diariamente. O mal-estar físico, contraturas, "dores nas costas", mal-estar no estômago/refluxo gástrico, etc, aquilo que muitos consideram "normal" tem uma origem emocional, sempre. O sintoma manifesta, mas precisamos de ir à origem.

A #tecnologia está mais desenvolvida que nunca, a "saúde" (ainda que na visão alopática se trate mais a doença do que se previna a saúde) conhece novos contornos e, ainda assim, o ser humano continua a sentir-se limitado e preso em si mesmo, e o sofrimento continua. Porque a maioria de nós tem qualquer "dorzinha" não significa que seja normal, antes reflexo do ritmo de vida que vivemos, ora reprimimos, ora galvanizamos emoções, cada vez mais afastados dos elementos naturais e sem cultivar espaço e hábitos que nos permitam regenerar, nas exigências da sociedade de trabalho em que estamos inseridos.


Como dizia, há dias, numa entrevista alguém, "levo a felicidade muito a sério". Se nos queremos levar a sério, mas com a leveza necessária em tudo, convém conhecermo-nos. Conhecermos e observamos as emoções que pululam em nós, aceitar o que não depende de nós, mas reconhecer o que podemos reeducar. A educação somática ajuda-nos a observar, notar e reconhecer no corpo as emoções e pelo corpo, a libertá-las.




O que esperar de Somatics?

  1. Diagnóstico - numa primeira sessão, e com base no conhecimento da psicologia Ayurvédica, elabora-se um diagnóstico com objectivos

  2. Orientação e vivência - sessão com prática, movimentos e exercícios de rotina de libertação e pontos marma específicos, em ambiente seguro

  3. Compromisso e resultados - sessões avulso podem "aliviar" mas um trabalho mínimo continuado (4 a 6 sessões) é fundamental para notar as diferenças e vivenciar os benefícios


* por questões de mecanismos de defesa naturais e inconscientes, estas sessões acontecem, preferencialmente, no Ginger (ambiente seguro e neutro ao aluno/terapeutizado) e não ao domicílio, a não ser em excepções e casos específicos.


Nota: à excepção da 1ª sessão, nas restantes, não são usados mais do que 15/20 mins para ponto de situação e colocar objectivos - é prioritário trabalhar e libertar directamente o corpo. É fundamental compreender e manter uma atitude aberta e disponível, uma vez que o corpo responde primeiro, e a mente pode precisar do seu tempo para processar. Muitas vezes, as dores crónicas dissipam-se ao longo da sessão, e a pessoa nem "consegue" verbalizar, no final. O "trauma" sai, seja das células e fibras, da memória do corpo, mas a mente precisa do seu tempo natural para digerir o que aconteceu, a um nível mais profundo. E nem sempre compreende porquê ou como. (a experiência e a intelectualização - podemos conversar e intelectualizar a própria experiência, a mente precisa disso para "seguir", mas a confiança é premissa base de qualquer trabalho aqui)


As emoções falam. Corpo-mente emocional. Atenção plena como estamos. Porque quem SOMOS, no absoluto, já sabemos que a consciência ilumina tudo. Dá forma a tudo. Até a este sofrimento com o qual nos identificamos, mesmo q nem "noção" tenhamos do aquário em que vivemos. :)


Filipa Mora


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