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Por que não propomos bibliografia de Vedanta para estudos auto-didactos?

Atualizado: 12 de jun. de 2021

Algumas pessoas, poucas, mas algumas, já me perguntaram se posso aconselhar alguma bibliografia para se iniciarem no "Vedanta", de forma auto-didacta. Não dá.🖐🏽


Sugiro bons professores, qualificados, em quem confiem. Questionem-se, auto-investiguem acerca da vossa natureza, sempre, mas não se estuda semelhante corpo de conhecimento a ler "livros" ou escrituras sagradas sem alguém que passou a vida dedicado a "isto", mas que tem distanciamento sobre nós.


⚠️ O perigo da ausência da figura do mestre é que podemos (e vamos, acreditem!) enviesar e deturpar tudo, uma vez que não temos distanciamento da ideia de nos próprios, sequer. É necessário uma figura q consiga pôr-vos em causa. Algo que a maioria não aprecia. 😏


Por algum motivo, este milenar meio conhecimento é isso mesmo, um "pramāṇa", q pressupõe uma "alfabetização" (e não estou a falar de sânscrito!🙃) primeiro, para se compreender, 'minimamente', determinados conceitos, o método lógico, a "negação" e consequente desconstrução da ideia errada acerca de QUEM SOMOS. Só assim, há espaço para nos pormos em causa, apreender, estar sistematicamente, de novo e de novo, a ouvir "o mesmo", ficar imensamente confuso, continuar a estudar, aprender. Remover ignorância. E continuar. And then, "my confusion is gone", como diz Arjuna ao Sr.Krishna, na Bhagavad Gita.

E, eventualmente, contemplar. :)


🟠 Ficar numa bolha? Renunciar as obrigações desta vida?

Nop!

Antes transformar um corpo de conhecimento imenso na integração pessoal e íntima. E, claramente, na manifestação com os demais.

Não abraçamos isto para nos retirarmos da sociedade de forma monástica, mas há um "recolhimento" de muita coisa. E isto passa a ser A prioridade. O Mark Twain dizia haver dois dias importantes na vida, quando nascemos e quando percebemos porquê.


Esta visão tradicional védica é o assunto mais sério das nossas vidas. Afinal, é connosco próprios (leia-se corpo-emocional) que vamos (con)viver até morrer. Se compreendermos a natureza da mente, da manifestação, do relativo e do absoluto, relaxamos com tudo o que por aqui vai acontecendo.


Mumukshutvam

Acima de tudo, tem de haver uma vontade imensa de libertação de algo. Não é à toa que, haja o que houver, se alguém tem o punyam de se cruzar neste caminho, a vontade de se libertar do sofrimento, e reconhecer a natureza plena é imensa, por mais "inconsciente" q soe. É a limitação, e falta de liberdade, esta ideia limitada acerca de quem somos a pairar e respirar cada célula destes tecidos q nos conduz ao presente. Essa ideia errada põe-nos no caminho. Tudo em ordem. A limitação que sentimos conduz-nos aqui. A não ser que tenhamos o punyam de já nascer em determinado contexto onde tudo isto nos seja natural e apenas continuemos a caminhar nesse sentido.


Por aqui, a maioria, arrisco-me a dizer, vem parar a estas "vidas" com alguma inquietação interior, por mais mínima que seja. Mas só uma vontade imensa de nos descondicionarmos e reconhecer a natureza que somos nos mantém no caminho, livres. ✨ Consciência. Plenitude. 🕊🙏🏼


Filipa Mora


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