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Meditar sob a raiva ou meditar sobre a raiva?

Atualizado: 23 de dez. de 2021

Nesta semana, a emoção da #raiva muito tem "surgido" por vários conteúdos com os quais me cruzo, e uma parábola q revela a importância de conhecer a mente antes de nos sentarmos a #meditar ficou(-me) nas impressões da mente. ;)

Numa altura de tanta oferta de tanta coisa, repouso na confiança de ter um sistema e um meio de conhecimento ao qual nos ancoramos e nos permite compreender a importância dos passos para determinadas coisas. Não quero com isto dizer que entre não tentar meditar sem qualquer recurso ou nada fazer, que seja melhor ficar quietinho (q escolha de palavras, "be still", eheheh ;) ), mas sem ferramentas q nos permitem desenvolver o discernimento, meditar sobre a raiva pode ser uma coisa, meditar na raiva, outra.

Notar a raiva num momento pode ser óptimo, meditar num estado rajásico, como recurso, pode agravar apenas a condição.

Linguística e jogos semânticos à parte, há que compreender a natureza da mente antes de nos sentarmos com ela. Não que não possamos ter uma "experiência directa" pela própria prática em si, mas as experiências são impermanentes, surgem e desaparecem, assim como as várias sensações e impressões, mas o discernimento que me permite distinguir "ser" de "estar" e não me identificar surge c/prática devidamente orientada.

Muito observo, "meditação assim e assado" e técnicas, aqui e ali, mas uma coisa é induzir determinados estados, convidar a mente a relaxar c/alguma sugestão de uma imagem na natureza, mas um yoganidra não é meditação.

E ainda sobre a má condução de meditações sobre as emoções,

os resultados podem ser desastrosos, ainda que não procuremos conquistar nada com a meditação. Mas sentarmos-nos de determinada forma, em alguns momentos, sem as ferramentas necessárias pode apenas galvanizar e dar corpo a coisas com as quais não temos arcabouço para lidar. E a meditação passa a ser usada, erroneamente, como uma técnica para outra coisa q devia ter o espaço apropriado.

Tudo se interliga e relaciona, desde que conheçamos o lugar e a natureza das coisas, e só então a integração acontece. Mas banha de cobra e viagem na maionese não são técnicas, nem ferramentas de meditação, seja qual for a tradição.


Filipa Mora

24 Setembro 2021








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